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"Só algumas pessoas escolhidas pela fatalidade do acaso provaram da liberdade esquiva e delicada da vida" "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar" "Clarice Lispector"

15.5.07


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Procuremos fazer de tudo para que a velhice
não nos surpreenda com mais rugas na alma do que no corpo.

"Michel de Montaigne"


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Alma, by João Lobo


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O Quinto Evangelho e um “dito” de Jesus


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Jesus disse: Se a carne foi feita por causa do espírito, é isto maravilhoso. Mas, se o espírito foi feito por causa do corpo, é isto a maravilha das maravilhas. Eu, porém, estou maravilhado diante do seguinte: Como é que tamanha riqueza foi habitar em tanta pobreza?

O corpo humano é produto do espírito – e que produto maravilhoso!

Mas será que a nossa alma é produto do corpo?

À primeira vista, parece que não. E, no entanto, também este paradoxo é um fato ainda mais maravilhoso do que aquele. Sem o nosso corpo, a alma não se teria evolvido. Antes da nossa encarnação, o nosso espírito era espírito, um espírito individual, emanado do Espírito Universal da Divindade. Mas, antes da nossa encarnação, o nosso espírito não era alma, não era
anima, porque ainda não animava o nosso corpo. Desde a nossa encarnação terrestre, o nosso espírito é a alma que
anima a matéria do nosso corpo.

E que maravilha a nossa alma fez do nosso corpo! Quanto mais estudamos os componentes do nosso corpo, o coração, os pulmões, as vias digestivas, o cérebro, os nervos, as células, as moléculas, os átomos, o nosso sentir e pensar, o nosso querer e amar – tanto mais estupefatos nos quedamos em face desse universo em miniatura, que é o homem.

Mas a nossa estupefação atinge a sua culminância quando nos tornamos plenamente conscientes desse paradoxo dos paradoxos: porque tamanha riqueza espiritual foi habitar em tamanha pobreza material, transformando a impotência da matéria na potência do espírito.

Parece que a Divindade criadora quis dar uma prova da sua onipotência, reunindo em síntese tão flagrantes antíteses como espírito e matéria, luz e treva, vida e morte, atividade e passividade.

Em face disto, exclama o Salmista: “Que é o homem, Senhor, que dele te lembres? E o filho do homem que o visites? Pouco abaixo dos anjos o colocaste, de honras e glórias o coroaste e o constituíste sobre as obras das tuas mãos”.

E Paulo de Tarso afirma que o corpo humano é o templo do Espírito Santo, habitáculo da própria Divindade.

Por isso, pecado não é só um crime contra o Espírito, mas também contra o corpo, um sacrilégio contra o templo do Espírito Santo.

De dois modos pode o homem profanar este templo sagrado: ou por hipertrofia ou por atrofia. Quem cuida somente do corpo e negligencia a alma, comete profanação. Quem maltrata o seu corpo, sob pretexto de cuidar da alma, também profana o templo de Deus.

Que grande sabedoria vemos em Jesus, que nunca hipertrofiou nem atrofiou o seu corpo, mas sempre manteve perfeita harmonia entre o santuário do seu corpo e o espírito que habita neste santuário.

Ele, o “homem sem pecado”, era também o homem sem doença; ele, o homem perfeito, o homem cósmico, o homem integral.



(In: O Quinto Evangelho – A Mensagem do Cristo, Segundo Tomé, Tomé/Rohden, Editora Martin Claret, São Paulo, 1996)



Martha Albuquerque
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No amor, nem sempre são as faltas o que mais nos prejudica, mas sim a maneira como procedemos depois de as ter cometido. "Oví­dio"