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"Só algumas pessoas escolhidas pela fatalidade do acaso provaram da liberdade esquiva e delicada da vida" "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar" "Clarice Lispector"

16.5.12

Mário Quintana



 
Mario Quintana

Alguns poemas e sentimentos.

 
   

Mario de Miranda Quintana (Rio Grande do Sul, 1906 – Rio Grande do Sul, 1994) que era chamado de “poeta das coisas simples”, trabalhou como jornalista por quase toda sua vida. Além de se dedicar aos fatos, Quintana também foi responsável pela tradução de vários títulos para o português e em 1940 dá início ao seu lado poético e de literatura infantil.
Não foi casado, nem teve filhos. Foi despejado do Hotel onde vivia, um dos quais morou na maior parte da vida, e faleceu em um apartamento adquirido por uma amiga, no centro de Porto Alegre.
Hoje, o Hotel Majestic, do qual fora despejado, se tornou a Casa de Cultura Mario Quintana, fazendo jus ao seu hóspede mais ilustre, um dos maiores escritores brasileiros. 

 
   

 
Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus, meu Deus... Parece
Meu velho pai – que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar – duro – interroga:
“o que fizeste de mim?!”
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste ,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa? Eu sou,
ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia–a longa, a inútil guerra! -
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...
 
 
 
 
 



 
 

 
     

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
 
 
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
 (E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
 Ha tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Ha tanta moca bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!) 
E talvez de meu repouso..
 
   
 

 
 
  
 
 
   


Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!
 


O tempo não para!
A saudade é que faz
As coisas pararem no tempo...
 


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No amor, nem sempre são as faltas o que mais nos prejudica, mas sim a maneira como procedemos depois de as ter cometido. "Oví­dio"