Psy

"Só algumas pessoas escolhidas pela fatalidade do acaso provaram da liberdade esquiva e delicada da vida" "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar" "Clarice Lispector"

23.11.08

Riverdance





A jornada

Das trevas viemos,
viemos do mar
Onde a longa onda
quebrou na praia
Quando o dia nasceu
e a noite se retraiu
Aí estávamos, na terra
que chamaríamos de lar.

Das trevas viemos,
viemos da noite
A primeira de muitas manhãs
nesse lugar novo
Quando o sol
dissipou o nevoeiro
Crescemos como uma
grande onda na terra
Agora somos
a gente desse lugar.

O que arde através
da chuva e da névoa?
O que afugenta
a escuridão?
O que torna as crianças
boas e inteligentes?
O que dá forma
às montanhas?

O sol é nosso Senhor e Pai.
Face radiante na porta do dia
Conforto do lar da criação
e plantação.

Senhor das manhãs,
Senhor do dia
Elevando nossos corações
Cantamos em seu louvor
Dançando em seus raios
redentores.

Caoinedh (Chu Chulainn)

Chu Chulainn morreu
Nosso grande Chu Chulainn.
Era um escudo de bronze,
um muro de pedras.
Agora é uma réstia de luz,
um vigia em lugar estratégico
Uma pedra no rio.

Era o sol da manhã,
uma fogueira na noite.
Era uma história poderosa,
um relâmpago na floresta,
uma tempestade repentina,
uma vida curta.

Trovoada.
Raios e trovões
castigam as rochas
bramidos de vento e tempestade
errompem na floresta.
Espalham os rebanhos
como grãos.
O fogo corta a escuridão.
Medo e fúria vão atrás dele.

Não vamos nos abater.
Não seremos pisados
como grãos.

Shivna

Sou Sweeney, órfão perdido
Era a terra e a terra era eu.
Alto e ereto
andava pelo mundo,
mas o sino e a cruz
acabaram com meu conforto.
Esfarrapado e machucado
vôo de galho em galho.
Espinhos me flagelam.
Não tenho paz
nem de noite nem de dia.

O despertar americano

Nenhuma vida é para sempre.
Plantamos e lutamos aqui
Amamos e morremos aqui.
Onda após onda o amar do tempo
quebra em toda praia.

Vimos a fumaça da guerra
levantar de nossas plantações.
Uma mancha no sol,
A colheita míngua.
Os ossos da fome andam
pelas estradas alagadas
na chuva negra da ruína.

Gerações inteiras
batem em retirada.

O solo nos decepcionou,
Soldados vêm contra nós
Com danças e canções.
Velamos nossas crianças.
Elas nos levam pelos mares
em danças e canções.

O porto do novo mundo

Madrugada... Os barcos partem
O pesar dos amantes
paira na maré
corações jovens demais
para a tristeza se partem.

O oceano cruel é fundo,
escuro e enorme.

Confortando os corações
Da noite viemos,
viemos do mar
numa nova praia.

Luzes brilham na escuridão...
Sem mãe, sem pai
arrancados de nossos lares
trazemos lágrimas à terra
que devemos fazer nossa.

A dança

Alta e ereta
Minha mãe me ensinou:
É assim que dançamos.
Alto e ereto
Meu pai me ensinou:
É assim que dançamos.

Batendo os pés nas ruas da cidade
em réstias de luz nas esquinas,
o fulgurante e orgulhoso
carnaval dos pobres.

Manhã Macedônica

Sobre os telhados
o chamado da música.
O ar familiar
mas não o nosso.

Como algo saído
de um livro de histórias
alguém dançando
à lembrança da neve.



O lar e o lugar do coração

E afinal, a lua sobre
a cidade e a floresta
é igual em todo lugar.
No velho mundo praleia
as plantações, como faz aqui.

Os rios de todos os lugares
correm para o mar e,
em toda parte
a terra vive do rio.

Amanhã o sol nascerá
em planícies douradas.
Meu coração vai te curar
Aqui nessa nova terra.

Elevo minha cabeça.
O novo passo forjado
na memória do antigo.

Tudo é uma jornada
de uma terra para outra,
de uma vida para outra.

Refazendo-nos sempre
sob o mesmo sol e lua.
Uma geração depois...
Esse filho de imigrantes
pisa, pela primeira vez,
no velho mundo.
Familiar mas estranho.

Um pássaro espalha
música nas montanhas...
Lembrança rica em canções
O coração volta pra casa.

Desconheço a autoria dos textos.
Imagens da net



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No amor, nem sempre são as faltas o que mais nos prejudica, mas sim a maneira como procedemos depois de as ter cometido. "Oví­dio"